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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Resgate em caverna na Tailândia: 'Tentamos escavar em busca de saída', dizem meninos em 1ª entrevista

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  • 18 julho 2018
Meninos resgatados deixaram o hospital e deram entrevista coletivaDireito de imagemEPA
Image captionMeninos resgatados de caverna dão primeira entrevista coletiva após deixarem hospital
Os 12 meninos tailandeses e seu técnico de futebol resgatados da caverna da Tailândia fazem nesta quarta-feira sua primeira aparição pública desde que deixaram o hospital.
Em uma entrevista coletiva, os garotos da equipe "Javalis Selvagens" apareceram sorrindo e brincando com bolas, ao lado dos "Navy Seals" tailandeses que os resgataram.
Eles devem voltar para suas respectivas casas em seguida.
Um dos meninos descreveu o momento em que eles foram encontrados pelos mergulhadores, após duas semanas presos nas cavernas:
"O técnico falou para a gente ficar quieto, porque ouviu alguém chegando. Então um de nós foi ali ver. A gente estava com medo. Peguei a lanterna e (...) foi quando os mergulhadores apareceram. Não sabia o que dizer a não ser 'olá'!"
"Foi um milagre", afirmou Adul Sam-on, de 14 anos, que é nativo de Mianmar e era o único do grupo que conseguia se comunicar com os mergulhadores britânicos que os encontraram. "Fomos negligentes com nossas vidas (ao entrar na rede de cavernas). Não sabíamos o que ia acontecer e não sabíamos o futuro. Seremos mais cautelosos, e vou viver minha vida plenamente."
Os meninos contam que passavam o tempo jogando damas, bebiam água que escorria pelas rochas e tentavam escavar as paredes da caverna em busca de uma saída, sem sucesso.
"Quando tínhamos tempo, escavávamos a caverna com pedras. Escavamos 3 ou 4 metros", contou um deles.
Segundo o técnico Ekkapol Chantawong, "sentíamos que precisávamos fazer algo, e não apenas esperar ajuda. Então nos revezávamos para cavar. Bebíamos água até ficar cheios antes de escavar."
Todos também lamentaram a morte do primeiro mergulhador tailandês que tentou resgatá-los.
Os 12 meninos durante entrevista coletivaDireito de imagemAFP
Image captionOs 12 meninos durante entrevista coletiva: "Esse episódio é a maior experiência que já enfrentei. Me ensinou a ser mais paciente e forte, a não desistir facilmente", disse um deles
"Sentimos muito. Ficamos impressionados que ele tenha sacrificado sua vida para nos salvar, para que pudéssemos viver. Ficamos chocados ao saber da notícia (da morte). Ficamos muito tristes. Sentimos que causamos tristeza a sua família", disse o técnico.
Como aprendizado, o técnico afirmou que ele e os jovens viverão "cuidadosamente, e não de forma imprudente. Vamos checar antes de fazer qualquer coisa".
"Aprendi muito com esse desastre", agregou um dos meninos. "Serei uma boa pessoa para a sociedade."
Outro menino afirmou que se sente "mais forte" e sonha em virar um jogador de futebol profissional.
"Esse episódio é a maior experiência que já enfrentei. Me ensinou a ser mais paciente e forte, a não desistir facilmente", agregou outro deles.
O governador da província tailandesa de Chiang Rai, Prachon Pratsukan, disse que a entrevista desta quarta será a única a ser dada pelos garotos, "que não falarão mais com a imprensa".
As perguntas dos jornalistas foram submetidas previamente e analisadas por um psicólogo infantil, para garantir que não abalassem os meninos.
Há planos para que, agora, eles sejam temporariamente ordenados como monges budistas – uma tradição entre meninos e homens tailandeses que enfrentaram experiências difíceis.

O incidente e o resgate

Os 12 meninos entraram na caverna de Tham Luang em 23 de junho, durante uma excursão com seu técnico.
Eles planejavam ficar lá por cerca de uma hora, mas fortes chuvas inundaram a rede de cavernas e bloquearam sua saída.
Foram necessários nove dias de buscas para que eles fossem encontrados por mergulhadores britânicos.
Operação de resgateDireito de imagemAFP/ROYAL THAI NAVY
Image captionOperação de resgate foi complexa, porém bem-sucedida
Depois disso, veio a preocupação com as dificuldades pelo resgate dos meninos, que não sabiam nadar e estavam enfraquecidos pelo longo período de tempo que passaram sem comida e luz.
Os perigos da jornada ficaram evidentes quando um ex-mergulhador dos Seals tailandeses, Saman Gunan, morreu enquanto tentava levar tanques de oxigênio para o complexo de cavernas.
Por fim, uma equipe de mergulhadores guiou, individualmente, os meninos e o técnico pelas passagens submersas até uma saída.
Fontes da equipe de resgate contaram à BBC que os meninos foram fortemente sedados antes da operação, para prevenir eventuais crises de pânico durante a jornada pelas passagens escuras e submarinas.
O processo foi exaustivo até mesmo para os experientes mergulhadores que participaram da operação: misturou trajetos de caminhada sobre rochas e sobre água, escalada e mergulho.
Apesar da complexidade, o resgate foi bem-sucedido: todos saíram da caverna e, segundo autoridades, se recuperam bem após um período de internação hospitalar.
Ao longo dos próximos meses, eles serão acompanhados por psicólogos.
Fonte https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44829014

terça-feira, 3 de julho de 2018

Astrônomos divulgam primeira imagem de planeta 'recém-nascido'

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Imagem de um novo planeta no disco de gás e poeira em torno de uma estrelaDireito de imagemESO/A. MÜLLER ET AL. / REPRODUÇÃO
Image captionO novo planeta é o ponto luminoso na direita. Já o ponto escuro ao centro é uma 'máscara' usada pelos astrônomos para bloquear a luz da nova estrela
Como é um planeta no momento do "nascimento"? Uma equipe internacional de astrônomos usou a estrutura de telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) para produzir uma das melhores imagens jamais feitas de um novo planeta no começo da vida. Na imagem, o novo astro navegando no disco de gás e poeira criado pela estrela à qual ele passará a orbitar. A imagem foi divulgada pelo ESO na segunda-feira.
O novo planeta foi batizado de PDS 70b - e o nome pouco glamouroso foi dado em função da estrela à qual ele orbitará, a PDS 70. Esta, por sua vez, é uma jovem estrela anã: significa que ela gera energia pela fusão de prótons presentes no núcleo de átomos de hidrogênio. O nosso Sol também é considerado uma estrela anã.
O time de astrônomos trabalhou sob a coordenação de um grupo do Instituto Max Planck, em Heidelberg (Alemanha).
A imagem do planeta foi capturada por um telescópio do ESO chamado Sphere, cuja especialidade é tirar fotos de exoplanetas - isto é, de planetas fora do nosso sistema solar. O telescópio Sphere faz parte da estrutura VLT, que é hoje o maior conjunto de telescópios ópticos do mundo. O VLT funciona na localidade de Cerro Paranal, no deserto do Atacama (Chile).
Imagem da região do céu onde está a estrelaDireito de imagemESO/DIGITIZED SKY SURVEY 2 / REPRODUÇÃO
Image captionA PDS-70 é o ponto laranja pálido no meio da imagem. A estrela azul brilhante no canto é a Chi Centauri
O novo planeta, PDS 70b, está a cerca de 3 bilhões de km de distância de sua estrela - distância equivalente à que existe entre Urano e o nosso Sol. Analisando o brilho emanado pelo planeta em vários comprimentos de onda diferentes, os cientistas também puderam concluir que o PDS 70b é do tipo gigante gasoso - e é algumas vezes maior que Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. A temperatura na superfície do PDS 70b é de cerca de 1.000 graus centígrados, mais quente que qualquer planeta na órbita do nosso Sol.
"Estes discos em torno das estrelas jovens são o berçário dos novos planetas, mas até agora poucas observações tinham detectado indícios da presença de novos planetas neles", diz a pesquisadora Miriam Keppler, que liderou o time responsável pela descoberta do planeta em formação na órbita da estrela PDS 70.
"Até o momento, porém, a maioria dos 'candidatos a planeta' já observados poderiam ser simples ruídos no disco", disse ela em um boletim divulgado pelo ESO (aqui, em inglês).
A pesquisa em torno do novo exoplaneta é apresentada em dois artigos científicos (aqui e aqui, em inglês), que serão publicados em um periódico especializado em astronomia.
O ponto escuro no centro da imagem se deve ao uso de um coronógrafo - uma espécie de máscara que bloqueia a luz direta da estrela. Sem este bloqueio, seria impossível observar o novo planeta - pois a luz da estrela o ofuscaria. A PDS 70 faz parte da constelação de Centauro.
Mapa mostra a localização da estrela PDS 70 e do novo planeta na constelação de CentauroDireito de imagemESO, IAU E SKY & TELESCOPE / REPRODUÇÃO
Image captionMapa mostra a localização da estrela PDS 70 e do novo planeta na constelação de Centauro
"Os resultados da equipe liderada por Keppler abrem uma janela para o complexo e ainda pouco compreendido processo de formação de planetas, e sobre os primeiros estágios dessa formação", diz o astrônomo André Müller, líder de uma segunda equipe que também investigará o jovem planeta.
Conhecendo a atmosfera e as propriedades físicas do novo planeta, cientistas poderão testar modelos teóricos que explicam a formação dos novos mundos.
Fonte https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44691897

Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS


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Absorção do medicamento se dá ao longo do dia e por isso tem menos efeitos colaterais. Saiba quem pode usar e como ter acesso ao remédio.

Por Tatiana Regadas, G1
 
Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS (Foto: Divulgação)Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS (Foto: Divulgação)
Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS (Foto: Divulgação)

Uma nova forma de tratamento para o Alzheimer está disponível no SUS. O remédio rivastigmina, já disponibilizado em comprimido e solução oral, agora também é disponibilizado em forma de adesivo transdérmico.

A rivastigmina faz com que ocorra um aumento de uma substância chamada acetilcolina, que está reduzida no cérebro de quem tem Alzheimer, mas a medicação pode causar sintomas gastrointestinais como náuseas e diarreia, diminuição do apetite e dor de cabeça.

A adição do adesivo à lista de remédios do SUS representa uma melhoria na qualidade de vida de alguns pacientes. Por ser colocado na pele, a absorção do remédio se dá ao longo do dia e por isso tem menos efeitos colaterais, especialmente no sistema digestivo.

Segundo Rodrigo Schultz, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, o adesivo também garante que não haja flutuação da dose: "Sendo por via transdérmica, há uma liberação contínua e regular ao longo das 24h, impedindo a ocorrência de flutuação de dose, ou seja, aumentos e reduções da medicação no organismo conforme ela segue sendo metabolizada."

Além disso, de acordo com Schultz, muito pacientes se recusam a fazer uso de remédios via oral e muitas vezes tiram o medicamento da própria boca após a administração.

"Com o adesivo ele não consegue fazer isso. Além disso, como a absorção é por via cutânea, há uma redução sensível na possibilidade da existência de efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais", explica.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, causada pela morte progressiva de células do cérebro, prejudicando funções como memória, atenção e orientação e linguagem, o que gera graves consequências para qualidade de vida dos pacientes. A doença não tem cura.

No Brasil, segundo dados de 2017, estima-se que haja 1,1 milhão de pessoas com a doença.

Quem pode usar?

Qualquer paciente com Alzheimer que faça uso da rivastigmina pode usar o medicamento em versão adesiva: "Há uma população que se beneficia mais que seria aquela com dificuldades para engolir ou que apresenta efeitos colaterais, sejam eles com qualquer medicação para essa finalidade", explica Schultz.

O adesivo também pode ser usado no banho e deve ser retirado 24 horas após o uso. Por ser colocado na pele, o adesivo pode trazer esporadicamente algumas reações no local da sua colocação e por isso é recomendado um rodízio no local de uso do adesivo.

"Em caso de falta, podem ser usados comprimidos ou solução oral na dose correspondente sem problema algum. Sem qualquer risco", diz Schultz.

Como ter acesso


Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento já está disponível nas unidades de saúde responsáveis pela distribuição deste tipo de remédio.

Ainda de acordo com o ministério, os pacientes devem atender aos critérios de elegibilidade dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas e apresentar os seguintes documentos em um estabelecimento de saúde designado:

cópia do Cartão Nacional de Saúde (CNS);
cópia de documento de identidade, cabendo ao responsável pelo recebimento da solicitação atestar a autenticidade de acordo com o documento original de identificação;
Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (LME), adequadamente preenchido;
prescrição médica devidamente preenchida;
documentos exigidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados na versão final pelo Ministério da Saúde, conforme a doença e o medicamento solicitado; e
cópia do comprovante de residência.

Além da rivastigmina, o SUS também disponibiliza outros medicamentos para o tratamento de Alzheimer: Donepezila, Galantamina e a Memantina.

O ministério explica que a adição da versão adesiva do medicamento à lista disponibilizada pelo SUS se dá por causa dos menores efeitos colaterais e da facilidade de aplicação.

"A rivastigmina já era oferecida por via oral, porém tinha o inconveniente de causar alguns desconfortos gastrointestinais no paciente, como náusea, vômito e diarreia. Para tentar diminuir esses efeitos indesejáveis, foi incorporada essa nova apresentação, que será indicada pelo médico que acompanha o paciente. Além disso, os pacientes com Alzheimer, podem tomar mais medicamentos ou menos que a quantidade prescrita, devido ao esquecimento", diz nota do Ministério da Saúde.
Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS (Foto: Divulgação)Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS (Foto: Divulgação)
Adesivo para tratamento de Alzheimer já está disponível pelo SUS (Foto: Divulgação)

sábado, 9 de junho de 2018

Como será a grandiosa e polêmica capital que o Egito está construindo no meio do deserto

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Operários trabalham na nova capital do EgitoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCerca de 200 km de estradas ligarão a nova cidade ao Cairo e outras partes do país
Em meio ao deserto, a só 45 km a leste do Cairo, está sendo erguida a nova capital do Egito, um projeto que é não apenas caro e ambicioso, mas também bastante controverso.
A cidade ainda sem nome, conhecida por enquanto apenas como a "nova capital administrativa" do país, foi anunciada em março de 2015 como uma das principais iniciativas do governo do general Abdel Fattaf al Sisi, que prevê transferir seu governo para lá dentro de um ano.
Os obras estão em curso há três. Hotéis, residências e centros de convenções começam a ocupar os terrenos baldios. O plano é ter uma cidade completa, para cerca de 5 milhões de habitantes.
O projeto prevê ainda lagos artificiais, um parque com o dobro do tamanho do Central Park, de Nova York, escolas e universidades, hospitais, centenas de mesquitas, a maior igreja do país, um parque temático e um aeroporto.
A tudo isso, se somarão as instalações do governo, como palácios presidenciais, embaixadas e as sedes do Parlamento e de 18 ministérios. A expectativa é que 200 km de estradas conectem a futura cidade com a capital atual, o Cairo, e o restante do país.
A nova capital ocupará uma área de 700 km², pouco menos do que o tamanho da cidade de Nova York, e fica na metade do caminho entre o Cairo e o porto de Suez, um dos núcleos comerciais e econômicos mais importantes do Egito.

Mas por que construir uma nova capital?

Plano de construção da nova capital do EgitoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionLocalizado em pleno deserto, o projeto prevê a construção de lagos e áreas verdes
De acordo com o Serviço de Informação do governo, a principal razão por trás do projeto é aliviar a superlotação do Cairo, uma megacidade com quase 20 milhões de habitantes e que deve chegar aos 40 milhões em 2050, além de "ajudar a fortalecer e a diversificar o potencial econômico do país com a criação de novos locais para se viver, trabalhar e visitar".
Mas essa não é a primeira vez que o Egito tenta levar suas instituições governamentais para fora do Cairo. No fim dos anos 1970, o então presidente Anwar Sadat lançou uma política de construção de cidades, entre elas Cidade Sadat, onde se previa erguer um novo centro administrativo nacional, mas a empreitada nunca chegou a ser concluída.
Os críticos temem que a nova capital possa ter o mesmo destino e consideram o projeto pouco realista, argumentando que ele foi criado para favorecer o governo após anos de instabilidade.
Al Sisi chegou ao poder em 2013 após um golpe de Estado contra Mohamed Morsi, o primeiro chefe de Estado egípcio eleito democraticamente. Em abril de 2018, foi reeleito como presidente com mais de 97% dos votos.
"Há três reações diante do projeto. Alguns o defendem como uma solução adequada. Outros acreditam que faz falta uma nova capital não neste local, mas a oeste do Vale do Nilo. E há quem defenda que, em vez de construir outra capital, deveriam distribuir os recursos para o desenvolvimento de outras regiões do país", diz o especialista em planejamento urbano Yehya Serag, professor da Universidade Ain Shams, no Cairo.
"Compartilho da terceira opinião. Seria melhor direcionar um recurso tão grande para outros projetos regionais."
Maquete da nova capital do EgitoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionGoverno planeja inaugurar a nova cidade em junho de 2019
Também existem dúvidas sobre a viabilidade econômica de um projeto de US$ 45 bilhões (R$ 168,6 bilhões) em um país que, em 2016, acordou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de US$ 12 bilhões ao longo de três anos e tem um déficit de 10,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar da previsão de crescimento em torno de 3,9% para 2018 e 2019, a economia egípcia tem questões graves que foram intensificadas pela instabilidade econômica recente.
Por sua vez, o governo diz que um projeto desta envergadura pode ser um motor econômico e de criação de empregos.
"Sempre há aspectos bons e ruins. Isso cria postos de trabalho no setor de construção, algo importante para um país que enfrentou problemas econômicos nos últimos anos", avalia Serag.

O dinheiro chinês

Mas quem está construindo essa infraestrutura milionária?
Para o desenvolvimento do projeto, o governo criou uma empresa pública, a Nova Capital Administrativa para o Desenvolvimento Urbano (ACUD, na sigla original), com uma participação de 51% do Exército, que também é dono dos terrenos onde está sendo erguida a nova cidade. Os outros 49% são do Ministério da Habitação.
Vista das obras da nova capital do EgitoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPlano prevê a construção de um novo aeroporto, centenas de mesquitas e a maior igreja do país
Está previsto que esta mesma empresa administre os edifícios que ficarão vagos no Cairo após o governo se mudar.
Desde a chegada de Al Sisi ao poder, cresceu o papel dos militares na economia do país, que já era significativo na época de Mubarak. O Exército tem centenas de empresas que vão de hotelaria, construção e energia a serviços médicos.
Além de supervisão e participação de militares e da iniciativa privada, o papel da China é determinante no projeto.
Desde 2016, o governo egípcio negocia um investimento de US$ 20 bilhões da empresa pública China Fortune para a construção de quase 5 milhões de metros quadrados ali.
E cerca de 85% dos US$ 3 bilhões necessários para erguer o distrito financeiro da nova capital, segundo a Bloomberg, serão pagos por banco chineses.
O obra está a cargo de outra empresa pública da potência asiática, a Empresa Estatal de Engenharia de Construção da China, a maior construtora do mundo.

Os problemas de uma megacidade

As opiniões sobre o projeto também se dividem do ponto de vista urbanístico e ambiental.
Homem na nova capital do EgitoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO governo diz que a empreitada criará milhares de empregos e será um motor da economia
O Cairo sofre com graves problemas de transporte, moradia e poluição. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a capital egípcia é a segunda megacidade do mundo em poluição do ar. Só é superada por Nova Déli, na Índia.
Só em 2017, segundo uma pesquisa da empresa Euromonitor, sua população aumentou em meio milhão de habitantes.
Os defensores do projeto garantem ser um passo necessário para descongestionar o Cairo, com a qual a nova capital estará conectada por meio de um trem elétrico. Mas sua localização no deserto suscita questionamentos, destaca Serag.
"Manter uma nova capital ali vai exigir uma infraestrutura especial, principalmente de abastecimento de água, porque o Egito e África em geral enfrentam uma escassez deste recurso."
Fonte https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44320974