Objeto foi encontrado pelo robô Curiosity no último dia 12
Um robô da Nasa, a agência espacial americana, descobriu o que pode ser um meteorito metálico na superfície de Marte.
Se confirmado, seria o terceiro objeto deste tipo encontrado pelo jeep-robô Curiosity desde agosto de 2012, quando pousou na superfície do planeta.
Uma imagem do objeto, feita no último dia 12 e disponibilizada no site da Nasa, revela que ele já foi "escaneado" pelo raio laser que o veículo usa para vaporizar parte da superfície de amostras, enquanto um espectômetro detecta sua composição através da análise da nuvem de plasma provocada pelo raio.
As imagens sugerem que o suposto meteorito poder ser feito de uma combinação entre ferro e níquel, e se isso for confirmado pela análise dos dados coletados pelo Curiosity, se saberá que ele foi formado a partir do núcleo de um asteroide. As imagens também revelam que o objeto tem sulcos compatíveis com o atrito de entrada na atmosfera de um planeta.
Direito de imagemNASAImage captionClose-up do objeto mostra marcas deixadas pelo laser do Curiosity
"O objeto foi batizado de Ames Knob e e lembra outro meteorito examinado pelo Curiosity em novembro, e cuja análise revelou uma composição de ferro e níquel", disse Guy Webster, um porta-voz da Nasa, ao site americano IFL Science.
Veículos-robô em Marte já encontraram sete meteoritos metálicos no planeta (pelo menos sete foram localizados por outros veículos americanos, o Opportunity e o Spirit), mas o interessante nisso tudo é essa particularidade de seu perfil. Na Terra, 95% dos meteoritos encontrados são rochosos.
Por quê isso ocorreu? Pode ser fruto da diferença de ambientes entre os dois planetas no que diz respeito à erosão. Ou pelo fato de o terreno escarpado de Marte tornar mais difícil a localização de rochas específicas.
Direito de imagemNASAImage captionEm outubro do ano passado, o Curiosity encontrou este meteorito na mesma região de Marte
A ausência de oxigênio e água na atmosfera de Marte impede a oxidação de objetos metálicos, que são erodidos pelo vento e mudanças de temperatura.
Observações iniciais das imagens sugerem, de acordo com a revista New Scientist,que o meteorito pode ter caído há relativamente pouco tempo, pois sua superfície parece suave e brilhante - ele ainda não teria sido erodido. Só que também pode se tratar de um meteorito antigo que foi polido pelas violentas tempestades de areia que atingem o planeta.
O Curiosity percorreu mais de 15 km desde que pousou no interior da Cratera Gale, há quatro anos e meio. Os cientistas americanos esperam tentar criar uma linha de tempo para as transformações ambientais sofridas pelo planeta - acredita-se, por exemplo, que a cratera, hoje um imenso deserto assolado por ventos, já foi um imenso lago que poderia ter abrigado algum tipo de vida.
Foi o ritmo mais lento em 26 anos, porém, apesar do recorde negativo, o resultado ficou dentro do esperado pelo governo. Reuters
A economia da China cresceu 6,7% em 2016, informou nesta sexta-feira (20) a Agência Nacional de Estatísticas, no ritmo mais lento em 26 anos. No entanto, apesar do recorde negativo, o resultado ficou no meio da faixa da meta de crescimento do governo de 6,5 a 7%.
Só no quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 6,8%, na comparação com o ano anterior, mais do que o esperado, sustentado por gastos governamentais mais altos e empréstimos bancários recordes, dando ao país um impulso para o que deve ser um ano turbulento.
O quarto trimestre foi a primeira vez em dois anos que a segunda maior economia do mundo mostrou aceleração do crescimento econômico, mas neste ano enfrenta pressão para aliviar seu mercado imobiliário, o impacto dos esforços do governo em reformas estruturais e uma relação potencialmente complicada com a nova administração norte-americana.
"Não esperamos que isso (PIB do quarto trimestre) se prolongue muito por 2017, quando uma desaceleração no mercado imobiliário e medidas para lidar com a escassez de oferta no setor de commodities devem pesar novamente sobre a demanda e a produção", disse o gerente regional do Economist Intelligence Unit, Tom Rafferty.
Economistas consultados pela Reuters esperavam que a China apresentasse crescimento de 6,7% tanto no quarto trimestre quanto no ano.
O setor imobiliário ajudou a impulsionar o crescimento mais uma vez no quarto trimestre, com o investimento imobiliário subindo surpreendentes 11,1% em dezembro contra 5,7% em novembro, mesmo com os preços mostrando sinais de enfraquecimento em algumas importantes cidades.
Os gastos do consumidor também foram fortes, com as vendas no varejo subindo 10,9% em dezembro sobre o ano anterior, o ritmo mais rápido em um ano, diante das vendas mais fortes de carros e cosméticos.
O investimento em ativo fixo avançou 8,1%, ritmo mais lento desde 1999, uma vez que o investimento de empresas privadas desacelerou de novo em dezembro na base mensal. O investimento em ativo fixo no setor privado caiu para 4,07% de 4,93% em novembro, de acordo com cálculos da Reuters com base em dados da agência de estatísticas.
Em meio a sinais de estabilização, fontes disseram à Reuters que os líderes da China vão reduzir sua meta de crescimento econômica para cerca de 6,5% este ano, dando a eles mais espaço para avançar com reformas buscando conter os riscos da dívida.
BBC Earth Direito de imagemTHINKSTOCKImage caption
O que estes girassóis "sabem"?
Na visão de Jack Schultz, plantas são "como animais muito lentos": conseguem ver, ouvir, cheirar e até têm comportamentos.
Professor da Divisão de Ciências Vegetais da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, ele passou quatro décadas investigando as relações entre vegetais e insetos.
Segundo o cientista, as plantas lutam por território, procuram alimentos, evitam predadores e fazem armadilhas para suas presas. Logo, estão vivas no mesmo sentido que os animais - assim como eles, exibem condutas.
"Para ver isso, basta você fazer um filme rápido de uma planta em crescimento - ela vai se comportar como um animal", acrescenta Olivier Hamant, um cientista especializado em vegetais da Universidade de Lion, na França.
Qualquer pessoa que tenha visto documentários sobre a natureza, ao estilo de Life, de David Attenborough, pode verificar que vídeos em time-lapse demonstram claramente o comportamento das plantas.
As plantas registradas nessas imagens em alta velocidade estão se movendo com um objetivo, o que significa que elas devem ter alguma consciência do que está acontecendo em volta.
"Para responder corretamente, as plantas também precisam de dispositivos de detecção sintonizados às condições que variam", explicou Schultz.
Como humanos
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionVegetais têm estruturas sensoriais complexas
Mas o que uma planta sente?
Se você acreditar no que afirma Daniel Chamovitz, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, os sentimentos delas não são tão diferentes dos nossos.
Quando decidiu escrever What a Plant Knows ("O que uma Planta Sabe", em tradução livre), livro lançado em 2012 no qual explora a vida delas com base em pesquisas científicas rigorosas e avançadas, o cientista ficou apreensivo.
"Eu estava extremamente preocupado com a reação que (o livro) iria causar", disse.
Tanta cautela tinha motivos. As descrições em seu livro de plantas vendo, cheirando, sentindo e até sabendo o que se passava à sua volta lembra A Vida Secreta das Plantas (de Peter Tompkins e Christopher Bird), um livro publicado em 1973 que fez muito sucesso naquela época, mas tinha pouca coisa em termos de fatos.
Uma das coisas que o livro afirmava, na qual muitos ainda acreditam, é a ideia totalmente desacreditada que as plantas reagem de forma positiva à música clássica.
Mas o estudo da capacidade de percepção das plantas avançou muito desde a década de 1970, e nos últimos anos houve um aumento nas pesquisas sobre o assunto.
A motivação para esse trabalho não foi simplesmente demonstrar que "as plantas também têm sentimentos", mas também tentar saber por que e como uma planta sente seu ambiente.
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionLagartas como essa causam reações ao se aproximar para devorar as folhas das plantas
Audição
Heidi Appel e Rex Cocroft, colegas de Schultz em Missouri, estão tentando descobrir a verdade a respeito da audição das plantas.
"A principal contribuição de nosso trabalho foi fornecer uma razão para as plantas serem afetadas pelo som", disse Appel.
Uma sinfonia de Beethoven não causa muita coisa em uma planta, mas a aproximação de uma lagarta faminta é outra história.
Em suas experiências, Appel e Cocroft descobriram que gravações do barulho que as lagartas fazem ao mastigar fizeram as plantas inundarem suas folhas com defesas químicas para afastar predadores.
"Mostramos que plantas respondiam a um 'som' de relevância ecológica", disse Cocroft.
E a relevância ecológica é a chave. Consuelo de Moraes, do Insituto Federal de Tecnologia da Suíça, em Zurique, e colaboradores demonstraram que além de ouvir insetos se aproximando, algumas plantas também podem sentir o cheiro deles, ou sentir o cheiro de sinais voláteis emitidos por plantas próximas em resposta a eles.
Em 2006 ela demonstrou como uma planta parasita, a Cuscuta europaea, consegue farejar um hospedeiro em potencial. A espécie de videira avança pelo ar e se enrola em volta de seu hospedeiro, extraindo seus nutrientes.
Em termos conceituais, não há muito que difere essas plantas de nós. Elas sentem o cheiro ou ouvem algo e então reagem, assim como os humanos.
Mas existe uma diferença importante, é claro.
"Na verdade não sabemos o quanto os mecanismos de percepção de odores das plantas são parecidos com os dos animais, já que não sabemos muito sobre esses mecanismos nelas", disse Moraes.
De fato: nós temos narizes e orelhas. Mas, e uma planta?
A falta de órgãos sensoriais óbvios torna mais difícil o entendimento dos sentidos delas. Nem sempre este é o caso - os fotorreceptores, que as plantas usam para "ver", por exemplo, são bem estudados -, mas com certeza esta é uma área que precisa de mais pesquisa.
Appel e Cocroft esperam descobrir que parte ou partes da planta respondem a sons.
Os candidatos mais prováveis são as proteínas mecanorreceptoras encontradas em todas as células delas. Estas microdeformações ainda podem reagir ao barulho de insetos.
Tudo indica que, para uma planta, não há necessidade de algo tão incômodo como uma orelha.
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionA planta parasita 'Cuscuta europaea' consegue farejar um hospedeiro em potencial
'Sexto sentido'
Outra habilidade que nós e plantas temos é a propriocepção, o "sexto sentido" que permite que saibamos onde as várias partes de nosso corpo estão no espaço.
Pelo fato desse sentido não ser intrinsecamente ligado a um órgão em animais - depende de um circuito de retorno entre os mecanorreceptores e o cérebro -, a comparação com as plantas é mais clara.
Os detalhes moleculares são um pouco diferentes dos nossos, mas elas também têm mecanorreceptores que detectam mudanças em seu ambiente e respondem de acordo.
"A ideia geral é a mesma", disse Olivier Hamant, que foi coautor de uma pesquisa de avaliação de propriocepção em 2016.
"Até agora sabemos que (a propriocepção) em plantas tem mais a ver com os microtúbulos (componentes estruturais da célula), respondendo ao esticamento e deformação mecânica."
Na verdade, um estudo publicado em 2015 parece mostrar semelhanças que vão ainda mais longe, sugerindo que a proteína actina - componente importante do tecido muscular - tem um papel importante na propricepção das plantas.
"Isso não tem tanta base, mas há algumas provas de que as fibras de actina em tecido estão envolvidas, quase como músculo", explicou Hamant.
Paralelos
Essas descobertas não são únicas. Enquanto as pesquisas no sentido das plantas avançaram, os pesquisadores começaram a descobrir padrões repetidos que dão pistas de paralelos mais profundos com animais.
Em 2014, uma equipe da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou que, quando uma lagarta ataca uma planta Arabidopsis, ela desencadeia uma onda de atividade elétrica.
A presença de sinais elétricos em plantas não é uma ideia nova - o fisiologista John Burdon-Sanderson propunha ainda em 1874 que eles eram um mecanismo usado pela planta carnívora dioneia (ou vênus-papa-moscas).
Mas o que surpreende mais é o papel de moléculas chamadas receptoras de glutamato - o mais importante neurotransmissor em nosso sistema nervoso central, que tem exatamente o mesmo papel em plantas, exceto por uma diferença crucial: plantas não têm sistema nervoso.
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionA 'Arabidopsis thaliana' usa sinais elétricos
"A biologia molecular e o genoma nos mostram que plantas e animais são compostos de um número surpreendentemente limitado de 'blocos de construção' moleculares, que são muito parecidos", explicou Fatima Cvrcková, pesquisadora na Universidade Charles, em Praga, na República Tcheca.
Comunicações elétricas evoluíram de duas formas diferentes, cada vez usando uma série de blocos de construção que podem datar de antes da separação entre plantas e animais, há cerca de 1,5 bilhão de anos.
"A evolução levou a um certo número de mecanismos potenciais para comunicação, e você até pode chegar a isso de formas diferentes, mas o fim ainda é o mesmo", contou Chamovitz.
'Inteligência das plantas'
A percepção da existência dessas semelhanças e que as plantas têm uma habilidade muito maior de sentir o mundo do que as aparências sugerem levou a algumas teorias sobre "inteligência das plantas" e até gerou uma nova disciplina.
Sinais elétricos em plantas foram um dos fatores principais do nascimento da "neurobiologia vegetal" (um termo usado apesar da falta de neurônios das plantas) e hoje há pesquisadores estudando áreas não tradicionais no estudo de vegetais como memória, aprendizado e resolução de problemas.
Essa forma de pensar até levou legisladores na Suíça a estabelecer diretrizes para proteger a "dignidade das plantas", seja lá o que isso quer dizer.
E enquanto muitos consideram os termos "inteligência das plantas" ou "neurobiologia vegetal" como metafóricos, outros fazem críticas. Até mesmo Chamovitz.
"Se eu acho que plantas são inteligentes? Acho que plantas são complexas", responde.
Para o pesquisador, complexidade não deve ser confundida com inteligência.
Limites
É útil descrever plantas em termos antropomórficos para facilitar a explicação de ideias. Mas há limites.
O risco é que as plantas acabem sendo vistas como versões inferiores dos animais, o que é errado.
"Nós, pesquisadores das plantas, ficamos felizes em falar sobre as semelhanças e diferenças entre os estilos de vida das plantas e dos animais quando apresentamos os resultados de alguma pesquisa sobre plantas para o público", disse Cvrcková.
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionPesquisadores querem evitar metáforas baseadas na vida animal para descrever plantas
No entanto, ela acredita que usar essas metáforas para descrever plantas tem um preço.
"Você quer evitar (essas metáforas), a não ser que você esteja interessado em um debate (geralmente inútil) sobre se as cenouras conseguem ou não sentir dor quando são mordidas."
Adaptação
Plantas são extremamente adaptadas para fazer exatamente o que precisam. Elas podem não ter um sistema nervoso, mas superam isso em outras áreas.
Por exemplo: apesar de não ter olhos, plantas como a Arabidopsis têm pelo menos 11 tipos de fotorreceptores.
Nós temos apenas quatro. Isso significa que, de certa forma, a "visão" delas é mais complexa que a nossa.
A verdade é que as plantas têm prioridades diferentes das nossas, e seus sistemas sensoriais refletem isso.
Como Chamovitz afirma em seu livro "luz, para uma planta, é muito mais do que um sinal; luz é comida".
As plantas podem enfrentar os mesmos desafios que os animais, mas suas necessidades sensoriais também são moldadas pelas coisas que as diferenciam.
"O enraizamento das plantas, o fato de elas não se moverem, significa que elas precisam ser muito mais atentas ao ambiente onde vivem do que eu ou você", explicou Chamovitz.
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionPlantas não são meras fontes de nutrição e biocombustíveis, dizem cientistas
Para entender totalmente como as plantas percebem o mundo, é importante que os cientistas e o público em geral apreciem os vegetais pelo que eles são.
"O risco é, se continuarmos comparando (plantas) com animais, não percebermos o valor das plantas", disse Hamant.
"Gostaria de ver as plantas reconhecidas mais como os seres vivos incríveis, interessantes e exóticos que são e menos como apenas uma fonte de nutrição e biocombustíveis para os humanos", acrescentou Cvrcková.
Esse tipo de atitude pode beneficiar a todos. Genética e eletrofisiologia são apenas alguns exemplos de áreas que começaram com pesquisas em plantas e provaram ser revolucionárias para a biologia como um todo.
Por outro lado, perceber que temos algumas coisas em comum com as plantas pode ser uma oportunidade para aceitar que somos mais parecidos com elas do que gostamos de imaginar, assim como as plantas são mais parecidas com os animais do que nós pensamos.
Para Chamovitz, as semelhanças devem nos alertar para a surpreendente complexidade das plantas e para os fatores em comum que conectam todas as formas de vida na Terra.
"Então poderemos começar a apreciar a união na biologia."
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Segundo especialistas, foram perdidos 919 mil km² de terrenos formados por mosaicos de ecossistemas florestais e carentes de árvores de forma natural.
Agência EFE
Extração de madeira e incêndios são principais fatores para queda da extensão da área intacta de florestas (Foto: Reprodução/TVCA) Extração de madeira e incêndios são principais fatores para queda da extensão da área intacta de florestas (Foto: Reprodução/TVCA)
Extração de madeira e incêndios são principais fatores para queda da extensão da área intacta de florestas (Foto: Reprodução/TVCA)
A área intacta da paisagem florestal mundial, sem nenhum sinal de atividade humana, caiu 7,2% de 2000 a 2013, segundo um estudo publicado na sexta-feira (13) pela revista científica "Science Advances".
O trabalho, do professor de geografia da Universidade de Maryland (EUA), Peter Potapov, e sua equipe utilizou imagens de satélites do Google Earth e dados do governo para monitorar as mudanças nestes anos.
No período citado, segundo os especialistas, foram perdidos 919 mil km² de terrenos formados por mosaicos de ecossistemas florestais e carentes de árvores de forma natural.
As regiões tropicais foram responsáveis por 60% da redução total da área intacta de paisagem florestal, enquanto 21% dessa perda são causadas nas regiões boreais, e 19% restante no norte das florestas boreais de Eurasia e da América do Norte.
De fato, mais da metade da diminuição desta paisagem intacta se concentrou em apenas três países; Rússia, com 179 mil km² de perda; Brasil, com 157 mil km²; e Canadá, com 142 mil km².
As principais causas desse fenômeno foram a extração de madeira, em 37% das ocasiões; a expansão agrícola, em mais de 27%; e a propagação dos incêndios florestais por causa da construção de infraestrutura, em mais de 21% das vezes.
Outras causas incluem a fragmentação para rotas mineiras, de extração de petróleo, gasodutos e linhas elétricas, além da expansão da rede de estradas.
Os autores do estudo destacaram a importância das superfícies intactas de paisagens florestais, já que estabilizam o armazenamento de carbono terrestre e a biodiversidade, além de proporcionar grandes habitats naturais para espécies de animais.
Entre 2011 e 2013, a taxa de redução de áreas florestais virgens triplicou em comparação a década anterior.
No entanto, as zonas classificadas como "áreas protegidas", que atendem os parâmetros da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que se baseiam no progresso humano, desenvolvimento econômico e conservação da natureza, sofreram uma diminuição "significativamente menor".
O estudo também alertou que se a área virgem florestal geral continuar a diminuir na mesma proporção, pelo menos 19 países perderão toda sua área intacta nos próximos 60 anos. EFE
BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil responderá por mais de um terço dos novos desempregados que vão surgir em 2017 no mundo todo, com 1,2 milhão de pessoas a mais que perderão seus postos, reforçando o cenário de que a economia brasileira ainda patina para começar a se recuperar.
Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê que existirão 3,4 milhões a mais de desempregados no mundo neste ano, levando o total a acima de 200 milhões.
No documento, a OIT chamou a atenção para a deterioração do mercado de trabalho brasileiro, onde a "recessão mais profunda que o esperado em 2016 vai continuar a ter efeitos em 2017".
Enquanto no mundo a taxa de desemprego deverá subir 0,1 ponto percentual, para 5,8 por cento, no Brasil essa alta será de quase 1 ponto, passando de 11,5 em 2016 para 12,4 por cento em 2017, projetou a OIT.
Para 2018, a expectativa é de que o desemprego continue subindo no país, com 200 mil pessoas a mais sem uma posição, para total de 13,8 milhões de brasileiros.
Na América Latina e Caribe, ainda segundo dados da OIT, 1,5 milhão de pessoas vão perder seus postos neste ano, somando 26,6 milhões de desempregados. Em 2018, esse número subirá a 27,1 milhões.
Dados do final de 2016 mostram que a atividade econômica no Brasil não deu sinais consistentes de retomada, o que deixa a recuperação esperada para este ano sob pressão.
A estimativa de crescimento para 2017 na pesquisa Focus do Banco Central é de apenas 0,5 por cento, depois de recuo de 3,49 por cento esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.
Direito de imagem THINKSTOCK Image caption Segundo pesquisadores, pessoas expostas ao estresse podem ter chances maiores de desenvolver doenças cardiovasculares
O efeito de estresse sobre uma região do cérebro pode estar associado a um risco maior de ataque cardíaco, segundo uma pesquisa publicada na revista especializada The Lancet.
No estudo com 300 pessoas foi observado que os que apresentavam uma atividade maior na amígdala (parte do cérebro responsável por orquestrar emoções) tinham uma probabilidade maior de desenvolver doenças cardiovasculares - e mais cedo que os outros.
De acordo com os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, estresse pode ser um fator de risco tão decisivo como fumo e pressão alta.
Especialistas em doenças do coração afirmam que os pacientes em situações de risco devem receber ajuda para gerenciar o estresse.
O estresse já tinha sido ligado a um aumento no risco de doenças cardiovasculares, que afetam o coração e os vasos sanguíneos. Mas a forma como isso acontecia nunca tinha sido explicada.
Os pesquisadores de Harvard detectaram que uma atividade maior na amígdala, a região do cérebro que processa emoções como medo e raiva, ajuda a explicar a ligação.
As amígdalas - são duas, uma de cada lado do cérebro - são grupos de células localizadas dentro dos lobos temporais mediais do cérebro. Em humanos e animais a amígdala está ligada a respostas ao medo e também ao prazer.
Os cientistas sugerem que a amígdala sob estresse envia sinais para a medula óssea, para que esta produza mais células brancas para o sangue. Estas células vão causar inflamação nas artérias e isto pode causar ataques cardíacos, angina e derrames.
Quando exposta a estresse, esta parte do cérebro parece funcionar como uma boa forma de prever a ocorrência de eventos cardiovasculares. No entanto os pesquisadores de Harvard afirmam que ainda são necessários mais estudos para confirmar esta sequência de reações.
Inflamação
O estudo publicado na Lancet analisou duas pesquisas diferentes. A primeira analisou cérebro, medula óssea, baço e artérias de 292 pacientes durante quase quatro anos para verificar se eles desenvolveram doenças cardiovasculares.
Durante o período de acompanhamento, 22 pacientes desenvolveram o problema; estes eram os que tinham uma atividade maior nas amígdalas do cérebro.
O segundo estudo, com apenas 13 pacientes, analisou a relação entre os níveis de estresse e a inflamação no corpo.
Esta pesquisa descobriu que os que relataram os níveis mais altos de estresse apresentavam também os níveis mais altos de atividade nas amígdalas e mais sinais de inflamação no sangue e nas artérias.
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionCientistas analisaram o aumento da atividade nas amígdalas do cérebro
"Nossos resultados dão uma percepção única de como o estresse pode levar à doença cardiovascular", afirmou Ahmed Tawakol, um dos líderes da pesquisa e professor na Faculdade de Medicina de Harvard.
"Isto aumenta a possibilidade de, ao reduzirmos o estresse, também obter benefícios que vão além da melhora no bem-estar psicológico."
"No futuro o estresse crônico poderá ser tratado como um fator de risco importante para doenças cardiovasculares, poderá fazer parte dos exames de rotina e ser gerenciado de forma eficaz como os outros grandes fatores de risco para doença cardiovascular", explicou Tawakol.
Controle de hábitos
Comentando a pesquisa, Emily Reeve, enfermeira especialista em problemas cardíacos da British Heart Foundation, explica que reduzir o risco de problemas no coração e derrame trabalhando com o estresse do paciente geralmente envolve o controle de hábitos e estilo de vida como tabagismo, alto consumo de bebidas alcoólicas e excesso de comida.
Mas, a partir desta pesquisa, isso deve mudar.
"Explorar como o cérebro administra o estresse e descobrir a razão do aumento do risco de doença cardíaca vai permitir o desenvolvimento de novas formas de gerenciar o estresse psicológico crônico."
"E isto pode garantir que pacientes que correm este risco sejam examinados com frequência e que o estresse destes pacientes seja controlado de forma eficaz."
Direito de imagem - GETTY IMAGES - Image caption Transição para rádio digital gerará economia de US$25 milhões por ano, segundo governo
Sob os olhares de outras nações, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM na última quarta-feira.
O desligamento começou na manhã do dia 11, na cidade mais ao norte do país, Bodø, perto do Círculo Polar Ártico, e teve cobertura ao vivo da televisão norueguesa.
Segundo o governo, hoje, a Noruega tem 22 estações nacionais de rádio digital e ainda há espaço para outras 20.
No entanto, só restam cinco estações nacionais de rádio FM neste país de 5 milhões de habitantes.
O serviço público de radiodifusão norueguês, o NRK, desligará seu sinal FM (a sigla de origem inglesa vem de Frequencia Modulada) antes da concorrência.
Mas este processo não será repentino: o sinal sairá do ar região por região, a partir de janeiro deste ano.
Economia
O ministério da Cultura norueguês estima que a digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões).
"O custo de transmissão de rádio nacional pela rede FM é oito vezes maior que pela rede de Retransmissão Digital de Áudio", disse o ministério em um comunicado.
Isso se deve em parte pelo menor consumo de energia da transmissão digital.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionIniciativa na Noruega servirá de teste para a indústria global de rádio
A ministra da Cultura, Thorhild Widvey, elenca outras vantagens.
"Os ouvintes terão acesso a um conteúdo de rádio mais diverso e plural e desfrutarão de uma maior qualidade de áudio, além de novas funcionalidades", disse ela recentemente.
Segundo Widvey, a digitalização também melhorará o sistema de resposta diante de emergências, já que a rádio digital é menos vulnerável a condições de clima extremas.
Indústria
Vários outros países da Europa e do sul da Ásia também avaliam uma transição para a rádio digital.
Segundo o analista britânico James Cridland, o momento do desligamento do sinal FM na Noruega será um "momento de apreensão" para a indústria de rádio global.
"Espero que os noruegueses tenham feito o suficiente para reter a audiência e para garantir que aqueles que não tenham feito a transição para o digital o façam logo", disse.
"Quem escuta rádio pode decidir, em vez disso, passar a ouvir sua coleção de músicas ou os serviços de streaming. Se a mudança prejudicar a audiência, pode ser que outros países fiquem menos dispostos a também desligar seu sinal FM e AM."